O Dia Mundial do Câncer (4 de fevereiro) é uma data importante para a conscientização sobre uma doença que afeta milhões de pessoas em todo o mundo. Apesar dos avanços nos tratamentos oncológicos, muitos pacientes ainda enfrentam efeitos colaterais que impactam diretamente a qualidade de vida, já que alguns medicamentos podem causar perda auditiva.
Neste artigo, vamos abordar o impacto da ototoxicidade, destacar os medicamentos que oferecem maior risco e informar sobre medidas de prevenção à perda auditiva durante o tratamento contra o câncer.
O que é ototoxicidade?
A ototoxicidade refere-se aos danos causados por determinados medicamentos no sistema auditivo, como perda auditiva, zumbido e vertigem.
No tratamento contra o câncer, os medicamentos quimioterápicos e a radioterapia destróem células cancerígenas, mas acabam afetando também células saudáveis e danificando as células ciliadas, responsáveis por captar e transmitir sons.
Os danos causados a essas estruturas podem resultar em perda auditiva temporária ou permanente, dependendo de fatores como:
- dose e duração do tratamento;
- uso concomitante de outras drogas potencialmente tóxicas;
- idade;
- perda auditiva anterior;
- exposição prévia à radioterapia; e
- predisposição genética.
Medicamentos contra o câncer que podem causar perda auditiva
Quimioterápicos
Os quimioterápicos usados no tratamento do câncer podem impactar significativamente a audição e danificar células sensoriais da orelha interna, causando perda auditiva bilateral e progressiva.
Confira alguns dos mais conhecidos.
- Cisplatina: um dos medicamentos mais eficazes na luta contra o câncer, mas também um dos mais ototóxicos, podendo causar perda auditiva severa e irreversível, especialmente em tratamentos prolongados.
- Carboplatina: embora seja menos ototóxica que a cisplatina, também pode causar danos significativos ao ouvido interno.
- Ciclofosfamida: bastante usada no tratamento de diferentes tipos de câncer, pode aumentar os riscos de perda auditiva quando combinada com outros agentes ototóxicos.
- Oxaliplatina: a ototoxicidade é menos frequente, mas ainda pode ocorrer, dependendo da dose administrada.
- Vindesina, Vinblastina e Vincristina: podem causar danos às estruturas sensoriais do ouvido interno em casos de altas doses ou tratamentos prolongados.
- Etoposido: a perda auditiva pode surgir como efeito colateral do uso continuado.
Antibióticos
Certos antibióticos utilizados para tratar infecções graves em pacientes imunossuprimidos também apresentam risco ototóxico, com efeitos cumulativos sobre as células ciliadas do ouvido interno.
Entre os antibióticos ototóxicos mais comuns, estão:
- Amicacina: conhecida por causar perda auditiva progressiva, especialmente em tratamentos prolongados.
- Gentamicina: afeta principalmente as células ciliadas do ouvido interno, podendo levar à perda auditiva permanente.
- Neomicina: com alto risco de ototoxicidade, geralmente é usado apenas em última alternativa.
- Estreptomicina: embora eficaz, apresenta um dos maiores riscos de perda auditiva entre os antibióticos.
- Tobramicina: tem efeitos ototóxicos significativos, especialmente em altas doses.
- Vancomicina: quando combinada com aminoglicosídeos, o risco de perda auditiva aumenta consideravelmente.
Radioterapia
A radioterapia, aplicada na região da cabeça e pescoço, pode danificar diretamente as células ciliadas na cóclea e o nervo auditivo.
Os efeitos podem variar de temporários a permanentes, dependendo da dose de radiação e da área tratada. Pacientes que recebem doses mais altas estão mais propensos a ter perda auditiva irreversível.
Grupos mais vulneráveis à perda auditiva
Certos pacientes têm maior propensão a desenvolver perda auditiva durante o tratamento do câncer. Entenda melhor a seguir.
- Pacientes pediátricos: crianças são mais suscetíveis aos efeitos ototóxicos devido ao desenvolvimento em curso do sistema auditivo.
- Idosos: a combinação de envelhecimento natural e tratamento agressivo eleva o risco de perda auditiva.
- Histórico de perda auditiva: pessoas com condições preexistentes ou exposição prévia a ruídos altos estão em maior risco.
Como prevenir a perda auditiva no tratamento contra o câncer
Testes auditivos periódicos são fundamentais para monitorar possíveis mudanças na audição, mesmo após o término do tratamento.
Além disso, é importante comunicar à equipe médica quaisquer alterações na audição durante o tratamento.
Confira alguns cuidados para reduzir os riscos de perda auditiva.
- Monitoramento auditivo regular: exames de audiometria antes, durante e após o tratamento ajudam a identificar problemas precocemente.
- Ajuste de doses: sempre que possível, utilizar doses menores ou medicamentos alternativos com menor impacto auditivo.
- Comunicação com a equipe médica: relatar qualquer alteração auditiva é essencial para ajustes no plano de tratamento.
Sinais de alerta: quando buscar ajuda?
Estar atento aos primeiros sinais de perda auditiva pode fazer toda a diferença para evitar que o problema se agrave.
Se você perceber qualquer um desses sintomas durante ou após o tratamento do câncer, procure imediatamente um especialista para avaliar sua condição e indicar as melhores medidas para proteger sua audição.
- Dificuldade para ouvir sons agudos: percepção reduzida de sons mais finos, como o canto de pássaros ou o toque de campainhas.
- Zumbido constante ou intermitente: um barulho persistente nos ouvidos, semelhante a um apito ou chiado.
- Sensibilidade auditiva: incômodo ou dor ao ouvir sons altos.
- Dificuldade de compreender conversas: especialmente em ambientes ruidosos ou ao falar ao telefone.
- Sensação de tontura ou desequilíbrio: podem indicar que o sistema auditivo está sendo afetado.
Tratamento e reabilitação auditiva para pacientes oncológicos
Aparelhos auditivos
Os aparelhos auditivos são aliados importantes para pacientes que enfrentam perda auditiva durante ou após o tratamento oncológico. Esses dispositivos ajudam a restaurar a capacidade auditiva, permitindo uma comunicação mais eficiente e uma melhor qualidade de vida.
Terapia auditiva
A terapia auditiva oferece uma abordagem personalizada para auxiliar os pacientes a se adaptarem à perda auditiva. Essa reabilitação inclui estratégias de melhoria da comunicação e suporte para maximizar o uso dos aparelhos auditivos ou de outros dispositivos.
Suporte psicológico
Enfrentar a perda auditiva pode ser um processo desafiador, tanto emocional quanto psicologicamente. O suporte psicológico é fundamental para ajudar os pacientes a lidarem com as dificuldades impostas por essa condição, promovendo bem-estar e confiança durante o tratamento.
Agende uma avaliação gratuita na Ouvix e receba um acompanhamento especializado para cuidar da sua saúde auditiva.




